| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Apodiformes |
| Família: | Trochilidae |
| Vigors, 1825 |
A família Trochilidae é originária das Américas e ocorre desde o Alasca até a Terra do Fogo, no extremo sul do continente, numa grande variedade de habitats. A maior biodiversidade da família encontra-se no Brasil e Equador que contém cerca de metade das espécies conhecidas de beija-flores. Os troquilídeos estão ausentes do Velho Mundo, onde o seu nicho ecológico é preenchido pela família Nectariniidae.
Na canção de Pena Branca, o beija-flor é chamado de cuitelinho, denominação esta do centro-sul do Brasil:
Cheguei na beira do porto
Onde as onda se espaia
As garça dá meia volta
E senta na beira da praia
E o cuitelinho não gosta
Que o botão de rosa caia,ai,ai
São aves de pequeno porte, que medem em média 6 a 12 cm de comprimento e pesam de 2 a 6 gramas. O bico é normalmente longo, mas o formato varia bastante de acordo com a espécie e está adaptado ao formato de flor que constitui a base da alimentação. Uma característica comum é a língua bifurcada e extensível, usada para extrair o néctar das flores. O esqueleto, formado por 8 pares de costelas e de 14 a 15 vértebras cervicais, e a constituição muscular dos beija-flores estão adaptados de forma a permitir um voo rápido e extremamente ágil. São as únicas aves capazes de voar para trás e permanecerem imóveis no ar. O batimento das asas é muito rápido e as espécies menores podem bater as asas 70 a 80 vezes por segundo. Em contraste, as patas dos beija-flores são pequenas demais para a ave caminhar sobre o solo. Assim como na maioria das aves, o sentido do olfato não está muito desenvolvido; a visão, no entanto, é muito apurada. Além de poderem identificar cores, são dos poucos vertebrados capazes de detectar cores no espectro ultravioleta.
Os beija-flores atuam como polinizadores de flores das mais diversas famílias botânicas e usam seu longo bico, provido de uma língua bífida enorme, para sugar o néctar das flores, competindo com outras aves e insetos por essa fonte de alimento. São atraídos especialmente por flores vermelhas e laranjas, mas visitam também flores brancas, como as de eucaliptos, e amarelas como as dos ipês. Algumas espécies chegam a visitar 2000 flores por dia em busca do néctar. Em termos proporcionais seria o equivalente a um ser humano ingerir 5 kg de açúcar todo dia. Complementam sua dieta, capturando pequenos insetos e aranhas. Algumas espécies apresentam serrilhas diminutas na ponta do bico para auxiliá-los nessa função. Frequentemente tentam roubar insetos presos em teias de aranhas e acabam eles próprios presos em grandes teias comunitárias.
Os beija-flores são poligâmicos. As fêmeas, geralmente maiores que os machos e com cores menos intensas, são as responsáveis pela construção do ninho e cuidado com os filhotes. Os ninhos estão entre os mais belos e bem-elaborados da natureza. Podem ser divididos em três tipos principais: pendentes de galhos; pendentes de palmeiras ou colocados em forquilhas (feito com paina de bromélia e amarrado com teia de aranha, dá ao ninho elasticidade para acompanhar o crescimento dos filhotes). A postura em geral consta de dois ovos brancos, por vezes tingidos de tons rosados devido a presença de liquens, utilizados na decoração do ninho para efeito de camuflagem. A fêmea incuba os ovos durante 16 ou 17 dias. Proporcionalmente ao tamanho de seu corpo, as fêmeas põem ovos enormes quando comparados aos de outras aves, embora pareçam diminutos para nós humanos. Os filhotes ficam no ninho de 20 a 30 dias. Para alimentar os filhotes a fêmea carrega o alimento no papo. Enquanto paira sobre o ninho, ela regurgita uma mistura de néctar e insetos através do longo bico dentro da garganta dos filhotes.
Pequenos, mas valentes, defendem seus territórios até mesmo de aves bem maiores. Gostam bastante de água e tomam banho em poças no chão ou em bromélias, lançam-se contra folhas e se molham na umidade destas. Tomam demorados banhos de sol para a termorregulação da temperatura de seus corpos e para compensarem a excessiva perda de energia decorrente de sua escassa massa corporal. Entram em estado de semitorpor em dias excesssivamente frios e durante a noite. Pernoitam em locais protegidos na vegetação ou em escarpas rochosas, diminuindo o ritimo de seu batimento cardíaco. Algumas espécies realizam migrações sazonais, decorrentes da floração anual de certas plantas, árvores e arbustos.
http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/usp/primeiro_trimestre/imagens/Aves/aves_no_campus/f_trochilidae.html Acesso em 24 dez. 2009.